terça-feira, 26 de outubro de 2010

A arte de envelhecer

O envelhecer deve ser visto como um processo contínuo de crescimento intelectual, emocional e psicológico.
            Embora em qualquer idade seja possível morrer, a velhice concentra maior acúmulo de perdas, limitações motoras, cognitivas e físicas. Dessa forma, torna-se importante elaborar a proximidade da própria morte. Quem não pode aceitar sua finitude ou se sente frustrado com o curso que sua vida tomou, poderá ser invadido pelo desespero de perceber que o tempo é muito breve para recomeçar uma nova vida.
           Quem se recusa a aceitar as mudanças que essa fase da vida traz, pode viver em um constante estresse e pessimismo perante  a perda de prestígio e do poder aquisitivo, além de ter uma reduzida auto-estima.
Saber envelhecer não é fácil, principalmente numa sociedade que cultiva o novo, as cirurgias plásticas,  o poder e a produtividade. Saber envelhecer é um aprendizado contínuo, é aceitar as novas limitações que o tempo traz, é não encarar a aposentadoria como um vazio, mas aprender a usar  e desfrutar desse momento livre para buscar momentos de prazer.          
             Um envelhecer repleto de sentido é aquele momento no qual predomina uma atitude contemplativa.
É reconciliar-se com seus fracassos, erros e defeitos, aceitando a si mesmo e evidenciando o que se tem de melhor, como a experiência de vida, a maturidade e a sabedoria, aprendendo a desfrutar dos prazeres que só essa etapa possibilita.

Virginia Toni Felippetti

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

INVASÃO DE DOMICÍLIO

A mídia televisiva diariamente invade nossos domicílios, entra em nossas casas sem bater na porta trazendo consigo notícias, informações, moda, estilo, etc., algumas vezes de forma compromissada e outras vezes de forma comprometida, ou seja, nem sempre de forma séria.

Mediante esta constatação – a invasão da televisão em nossa vida – a grande dúvida é como podemos nos preservar da imagem e comportamento às vezes deturpados que ela nos traz, associando belos atores a atitudes antiéticas, à exposição exagerada de cenas eróticas, ao condicionamento do corpo da mulher como bem de consumo, à ideia de que tudo vale a pena pra ser dar bem, citando alguns exemplos.

Parece que para conseguirmos absorver o que há de bom e deixarmos o que não o é, temos que acionar o nosso filtro da crítica para separar o joio do trigo, tarefa por vezes mais difícil do que parece num primeiro momento.

E, se esta tarefa nem sempre é fácil para um adulto muito mais complicado para uma criança que fica horas diante da televisão – uma média de 5 (cinco) horas diárias de acordo com o Painel Nacional de Televisores do IBOPE – absorvendo todas informações, sendo assediadas pelo mercado e agindo, posteriormente, dentro de suas casas como eficientes promotoras de vendas de produtos também direcionados aos adultos.

Nesta linha de abordagem é fácil constatar que as crianças influenciam as decisões de aquisição de um lar, mas choca o estudo apresentado pelo TNS/InterScience que aponta que as crianças brasileiras influenciam 80% das decisões de compra de uma família, apenas não interferem em decisões relacionadas a planos de seguros, combustível e produtos de limpeza.

A pergunta é: o que e como fazer para mudar esta realidade tendo em vista o contexto social em que nos encontramos? Onde a televisão é vista praticamente como a única forma de lazer e diversão esquecendo ser a mesma formadora de opinião e, no caso das crianças, influenciando na formação da personalidade das mesmas?

Se não há ainda como evitarmos a comunicação mercadológica dirigida às crianças, temos que pensar num controle ao acesso destas à televisão, quem sabe consentindo e possibilitando que em nossas casas circulem outros meios de comunicação e lazer que propiciem interação entre adultos e crianças. Os danos causados pela lógica insustentável do consumo irracional podem ser minorados e evitados, se efetivamente a infância for preservada em sua essência como tempo indispensável e fundamental para a formação da cidadania.

Indivíduos conscientes e responsáveis são a base de uma sociedade mais justa e fraterna, que tem a qualidade de vida não apenas como um conceito a ser seguido, mas uma prática a ser vivida.

Por Mônica Montanari