E Agora Brasil?
O fato de uma mulher sair vencedora em uma eleição majoritária, disputada com uma importante ala da tradicional política brasileira, é um fato que fará registro na história do nosso país. Assim como os Estados Unidos elegeram um presidente negro pela primeira vez em sua história, o Brasil dá o seu recado elegendo uma mulher. A frase “sim a mulher pode” do discurso de Dilma Roussef (formulada, segundo ela, por uma menina que se aproximou e lhe perguntou se uma mulher podia mesmo ser candidata à presidência da República) lembra muito o “yes we can” da campanha do presidente Barak Obama.
Com relação à campanha, o que presenciamos não foi exatamente um debate sobre plataformas de governo, mas a tentativa de encontrar motivos para acusações recíprocas, principalmente no campo da ética e da moral. Os candidatos, ao invés de discutirem sobre política cambial, reforma partidária, reforma fiscal, ou reforma da previdência, usaram seu preciso tempo em cadeia nacional para falar de aborto e religião. Não que essas discussões não sejam legítimas. Até são. Afinal, todos os segmentos da sociedade têm direito de se fazer ouvir, mas não necessariamente naquele contexto. Ali não era a hora, nem o lugar.
Questionou-se também o fato de se o eleitor brasileiro estava preparado para votar numa mulher, mas parece que os programas sociais do Presidente Lula, padrinho político de Dilma, falaram alto nas urnas. E veja que não tem sido nada fácil, para uma grande parte da população, conviver com Prounis, cotas e transferências sociais como o Bolsa Família. É bem verdade que, às vezes, esse tipo de programa gera certa apreensão, no sentido de que eles possam “dar o peixe” ao invés de “ensinar a pescar”. Porém, a dimensão alcançada por eles, tem sido uma surpresa até para os governantes que os implementaram.
Também nunca se viu tanto voluntariado no Brasil. Como num círculo virtuoso foram aparecendo organizações sociais não governamentais e grupos de solidariedade com participação ativa e efetiva dos cidadãos na vida das comunidades. Nessas horas parece que as disputas partidárias ficaram para trás para dar lugar à ação, pois como dizia o sociólogo Betinho “quem tem fome tem pressa”!
Atualmente há ainda a emergência da questão ambiental trazida à cena política com maior ênfase pela candidata Marina Silva. Em tempos de aquecimento global, cientistas em de vários países advertem sobre os danos causados pelas ações insensatas das populações sobre o meio-ambiente As pessoas, por sua vez, estão tomando consciência de que, se continuarem agredindo nosso planeta dessa forma, ele não resistirá. Os sinais das possíveis catástrofes já se fazem sentir e comprovam a urgência de medidas a serem tomadas para impedir que as previsões negativas se concretizem. Parece que estamos diante de novos tempos. Tempos de cidadãos mais conscientes e mais exigentes. Por isso espera-se que o governo dê o exemplo e faça a sua parte.
Com as forças políticas do Congresso favoráveis à presidente eleita, restará esperar para ver como Dilma se sairá no campo da negociação. Considerada uma gestora eficiente, pelos cargos que ocupou desde os tempos do comando da Secretaria da Fazenda do Município de Porto Alegre até a coordenação da Casa Civil do presidente Lula, a sua capacidade política entrará agora em avaliação. Todavia, vários pontos enfatizados em seu discurso como “valorizar a democracia em toda sua dimensão, desde o direito de opinião e expressão até os direitos essenciais da alimentação, do emprego e da renda, da moradia digna e da paz social; ampla e irrestrita liberdade de imprensa; observação criteriosa e permanente dos direitos humanos tão claramente consagrados em nossa constituição” levam a crer que estamos diante de uma mulher com a exata dimensão que o cargo requer.
E, como ela mesma enfatizou, espera-se que a ascensão das mulheres a cargos relevantes “se transforme num evento natural”. E que o exemplo “possa se repetir e se ampliar nas empresas, nas instituições civis, nas entidades representativas de toda nossa sociedade”. Que assim seja!
Rubia Frizzo
Rubia Frizzo
Nenhum comentário:
Postar um comentário