Caros Leitores e Telespectadores, no próximo dia 14 setembro estarei lançando meu livro de contos intitulado “A Louca e Outros Contos de Ônibus”, em Porto Alegre, na Livraria Bamboletras, localizada no Centro Comercial Olaria, rua Lima e Silva nº 776 – Cidade Baixa. Convido vocês para estarem presentes e que me ajudem a divulgar o evento. Em Caxias do Sul, o livro pode ser encontrado na livraria Do Arco da Velhoa, rua Os 18 do Forte esquina com Marquês do Herval.
Transcrevo abaixo um conto pra despertar a curiosidade! Grande abraço!
Por Mônica Montanari
SABE MARIA
“Quarta-feira e eu exausta de emoções. Todas se manifestaram: temor, medo, ansiedade, saudade. Até mesmo o amor ou afeto que eu guardo numa prateleira tão inalcançável tem se manifestado.
Talvez seja bom, talvez não, mas e inevitável que um dia, por um destes tremores de terra que podem acontecer em qualquer lugar, de repente – mão mais que de repente – o vidro ode estivesse guardado se mexesse e viesse à tona todo e tudo ali guardado.
Ficamos anos sem mexer no depósito das emoções e então, quando menos esperamos, ela vêm por si só, como se não dependesse de nós. Acalentador e assustador o processo que nos faz ver que elas ainda existem. Acalentador porque voltamos a perceber a nossa existência além desta razão – esta que pregamos no dia-a- dia todo o dia – e deste corpo. Assustador porque, neste momento, ainda não sabemos o que fazer com tudo isso.
Podemos guardar um pouco para o café da manha?
Nesta hora tão esdrúxula – adoro esta palavra! – do encontro é que lembro do meu amigo que escrever que a alma era tal qual sabiá que um belo dia resolveu partir e então a razão, a sabedora de tudo resolveu tomar conta do espaço, ao final do dia tudo que se queria era o canto do sabiá, mas os sabiás só cantam ao raiar. Descobertas?”
Releio agora a carta que recebi de você com a certeza de que eu mesma poderia ter escrito porque nossos amores ficam sempre trancados em vidro ou livros, nas prateleiras mais inalcançáveis como para negar sua existência, não ter que ver.
Você me diz tudo isso, mas não me conta o que fez com o conteúdo do vidro depois que ele abriu e me deixou a pensar o que eu faria.
Sabe, Maria, que não sei o que te dizer? Não sei o que faria, mas acho que juntaria tudo, cuidadosamente, varreria, colocaria no lixo e colocaria fora!
O que foi que você fez? O que foi que nós fizemos?
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